domingo, 2 de janeiro de 2011

Penso e Passo



Quando penso que uma palavra

Pode mudar tudo

Não fico mudo

Mudo

Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso

(Alice Ruiz)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Meu pequeno sapinho

Capítulo quarto...

Marte afastou-se da porta abanando desesperadamente o rabinho. Elis entrou, as chaves fizeram ruído em suas mãos, logo as segurou evitando chamar a atenção. Abaixou-se largando a bolsa em um canto, seus dedos eram pentes finos nos pêlos de Marte que não controlava sua alegria. O cachorrinho não sabia se cheirava uma das mãos da mãe ou se a permitia tocá-lo.

Ela possuía um leve vermelho nos olhos, resultado de lágrimas despejadas dentro de um ônibus de um lado a outro da cidade. Percebeu Nino adormecido no tapete em seu lugar no meio de seu material de trabalho, foi ter com ele, que estava abraçado a um papel. Sua curiosidade era grande, mas não maior que seu desejo de reconciliação.

...Me desculpe. Seu pequeno sapinho! Dizia as letras coloridas no papel. Elis cuidadosamente na intenção de evitar despertar o outro, puxou a folha pela ponta, mas não adiantou, o mínimo movimento o acordou. Olhares surpresos e receosos encontraram-se, silenciosamente Elis recebeu das mãos de Nino o seu recado. Pode ver melhor a lembrança feita por seu namorido. Sorriu, tudo estava voltando a normalidade, envolveu os braços no corpo do outro e tudo estava bem novamente.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz ano novo...


2010 vai partindo, e peço com carinho que leve as coisas desagradáveis que acontecerão e que deixe permanecer as lembranças das boas coisas, que não foram poucas. Então, vai 2010, vai com Deus, você foi generoso comigo esse ano, mas também me pregou algumas peças e entendo tudo como aprendizado. Valeu à pena!
Bem vindo 2011... vem com tudo...
E aí vai a minha lista de coisas que desejo que traga para mim e para todos, eu disse todos...

*Luz;
*Paz;
*Amor;
*Saúde;
*Sucesso... muito sucesso... ;)

Valeu à pena, 2010. Mas, acabou seu tempo. Au revoir...
Bem-vindo 2011, e que tudo seja luz e amor esse ano que está nascendo...


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu pequeno sapinho


Capítulo terceiro...

Elis saiu do prédio sem controlar os músculos da face, segurando o choro, engolindo sem sucesso o nó preso na garganta. Seus pés continuavam apressados e a levou para o primeiro ponto de ônibus que viu. Logo surgiu no final da rua uma jaula ambulante, tomou aquela sem mesmo ler o destino, dá voltas de ônibus por ai seria o seu novo e triste hobby naquele dia.

Ocupou um banco de apenas um lugar, trancou-se em seu mundo particular, seria a melhor escolha naquele momento. Esqueceu-se dos rostos dentro do transporte, voltando a atenção para o que vinha além da janela. Já cansados de guardar lágrimas que lutavam para serem derramadas, seus olhos desabafaram a dor que lhe alfinetava. Não deixava de lembrar as palavras trocadas no apartamento.

***

No apartamento Marte desistira de pedir atenção ao pai, ele não o notava. Nino era forçado a refletir pelo arrependimento, apertava na mão o que devia ser uma bolinha ortopédica, distraídos seus olhos alcançavam o mapa preso na parede. Libertou a bolinha e foi ter com o mapa.

-Pronto, está aqui. Elis sorriu marcando com tachinhas a Holanda.

-A Holanda? Você prefere a Holanda amor. Ele marcava Londres, descansando seu braço no ombro da outra. –Vamos à Londres...

-Nino pegamos um trem e de um vamos para outro país! Não passavam de sonhos e planos as marcações por falta das notas verdinhas que poderiam levá-los aos destinos escolhidos. Mas, divertiam-se imaginando viagens como aquelas.

Nino rememorava um dos bons momentos vividos pelos dois naqueles seis meses morando juntos. Deixou o mapa ao perceber o desenho interrompido pela discussão, estava ainda inacabado o tênis abandonado no tapete. Sentou-se com uma das pernas junto ao corpo e tomou nas mãos o all star com o rosto do Bob Marley. Perdeu-se no tempo com o tênis nas mãos admirava cada trabalho da outra, apesar daquele lamentável episódio, apoiavam-se desde sempre. Em seus pés possuía uma recordação de Elis, no último aniversário de Nino ela havia desenhado um sapinho de grandes e alegres olhos e ao lado escrito...

-Meu pequeno sapinho. Sussurrou o carinhoso apelido dado pela namorada.

Olhou além da janela, o céu aos poucos se tornava negro deixando o dia partir. Começara a preocupar-se com a saída de Elis. Tomou nas mãos o telefone, Marte já desperto colara na porta com o focinho encostado na abertura aguardando ansioso o retorno da mãe. Olhar esperançoso em cima da porta enquanto contatava amigos que pudessem lhe dá notícias de Elis. Marte permanecia imóvel na porta, seu focinho gelado buscava o cheiro da mãe por uma mínima entrada de ar.

-Valeu, se ela aparecer por ai me liga. Obrigado! Desligou. Suas buscas não foram vitoriosas, um ar de desânimo sussurrava próximo dele, estava preocupado com o desaparecimento da namorada. Voltou ao chão, ainda o tinha nos pés. Sentou-se meio as tintas e canetas, lamentando em silêncio a desavença.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Maria e João

Maria e João


Maria ninguém

entrou no trem

para Belém.


Ao lado de um desconhecido

sentou-se Maria

sem olhar o bendito.


O trem balançou

ele nela encostou,

ela sorriu, ele se apresentou...


Me chamo João ninguém,

falo com quem?

Maria ninguém.


Maria encontrou João

ou João encontrou Maria,

deixaram de ser ninguém

um ao outro pertenciam.

De volta para o passado


Voltei no tempo esse fim de semana e decidi rever pela milésima não sei quanta vez o filme, “De volta para o futuro” de Robert Zemeckis. Filme de ficção científica não é algo que me atrai para o cinema ou mesmo para frente da tv, mas essa trilogia é uma das exceções na minha lista.

Me lembro de como vir e revir inúmeras vezes esse clássico oitentista na “sessão da tarde” e no “cinema em casa” , atração roubada dos anos 80 para divertir crianças dos anos 90, eu por exemplo.

Mas, voltando ao que interessa mesmo nesse texto. Voltei ao passado esse fim de semana e resolvi assistir a trilogia, agora com um olhar menos leigo em relação a cinema, mas não tão experiente em relação ao assunto. Por tanto, essas linhas é apenas um comentário sobre um filme que revir com outro olhar e me encantei ainda mais.

Em “De volta para o futuro- Parte I” acabei viajando principalmente no figurino das duas épocas relacionadas no filme, anos 80 e 50. Quando partir para o segundo filme da trilogia, apesar de gostar muito mais do primeiro, o “De volta para o futuro- Parte II” me fez boba no sofá da sala.

“Isso é genial”, foi o que eu disse quando já no meio de toda a aventura, Martyn o adolescente desesperado lutando para concertar as coisas no passado, na década de 50, entra na sala do diretor da escola para recuperar o almanaque de esportes que vai salvar toda a sua vida no futuro. Enquanto Martyn por meio do Ok toque avisa ao Dr. Emmet sobre a falha na busca pelo almanaque, por cima do ombro dele, através da janela podemos ver de outro ponto de vista o que aconteceu no filme anterior. Ou seja, o ato de coragem do seu pai o George novo ao brigar com o Biffe e salvar sua mãe. Cena essa vista no filme anterior. Perfeito.

O trabalho de Robert Zemeckis é genial pela perfeição na seqüência, o figurino, os personagens no segundo filme aparecem exatamente como na primeira parte em suas situações.

Outra coisa que me chamou a atenção é algo até cômico, como as pessoas no passado fantasiavam o futuro, esse presente que vivemos hoje. 2015 na parte II de “De volta para o futuro” não chega perto do que vivemos hoje em 2011 e não vamos ver quando 2015 chegar, ano esse que está tão próximo.

A justiça é rápida, carros voam, e apesar do figurino aparecer bem diferente percebi um toque oitentista. Me agradou. Ainda assim, o filme prevê algumas coisas, como a tv LCD na sala do Mcfly velho e ainda a possibilidade de ver vários canais diferentes ao mesmo tempo.

Em “De volta para o futuro- Parte III” Martyn volta ao velho oeste para salvar o Dr. Emmet e a trilogia se encerra depois de encontros com índios e mau feitores.

Tenho lá meus preconceitos com seqüências de filmes, pois o que tem saído para os cinemas ultimamente não tem sido lá essas coisas, em minha opinião. Mas, voltando ao passado podemos encontrar algumas ótimas exceções, e essa é o que podemos chamar de uma trilogia que deu certo.

Me empolguei com essa viajem ao passado oitentista no cinema e agora vou de “Bill e Ted- Uma aventura fantástica”, saudade desse filme.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Meu pequeno sapinho

Capítulo segundo...

Distraia-se com uma canção de melodia doce enquanto dedicava-se a novas formas em mais um all star. Dessa vez o trabalho era ainda mais minucioso, o cliente desejava o rosto do Bob Marley no tênis e precisava chegar o mais próximo que pudesse. Dividia a atenção entre as linhas que marcara no grosso tecido e a fotografia no chão. Suspirou de susto, surpresa ao ver Nino chegar, cruzando a porta e fechando, trajado de desânimo e insatisfação.

-Assim não dá... Cada vez está ficando pior...

Atônita em vê-lo daquele jeito, assistia o nervosismo do outro andando a sala inteira, abandonando bornal no puf, chaves em mesa de centro sem ao menos perceber o suco que descongelava ali, talvez há meia hora, esquecido por Elis.

-Nino...

-Eu não consegui a vaga na empresa Elis, eu contava com isso.

-Calma Nino, eu sei que estávamos animados e seguros com essa vaga, mas se não deu vamos agora partir para outra...

-É sempre assim... Elis eu estou pirando, você na maior parte das vezes está segurando a barra aqui com o que fatura dos tênis, não me sinto o melhor homem dos homens nessa situação.

-Eu entendo Nino, mas...

-Não, não entende nada, ninguém entende. Nino não é capaz de coisa alguma, já dizem aqueles que acham que me conhecem. “Coitado do Nino, sempre tão distante, será que consegue ir longe?”

Sua ironia, explosão de opiniões foram despejadas de maneira grosseira e fria em Elis. Ela deixou seu trabalho de lado, sua razão lhe pedia calma.

-Os dias passam, as oportunidades se espremem até desaparecer e eu continuo sem consegui algo que segure a gente. Não pensamos Elis quando decidimos...

-Pára Nino, pára agora, não quero nem que complete essa frase. Deixou o chão de imediato, havia desabado por dentro com as palavras do outro. -Não acredito que estou ouvindo isso, fala como se tudo o que estamos construindo aqui fosse um planozinho de viajem que deu errado no meio do caminho.

-Elis eu não falei isso, mas precisa entender que é muito sério, você encara as coisas muito simplesmente, não vamos ficar dependendo só de você, eu não quero...

-E isso não vai acontecer, Nino eu não sou nenhuma criança eu levo tudo isso muito a sério não vivo de fantasias, mas não me desespero, não vai nos levar a nada o desespero.

-Desisto de fazer você entender...

A discussão havia tornado-se cada vez mais desagradável, as palavras dele continuavam afiadas, cego pela cabeça quente. Ela respondendo magoada aos bombardeios do outro. Nino sentou-se no puf azul, recolheu do tapete um livro, sem mesmo saber exatamente qual página estava lendo procurava fugir do desentendimento ali naquelas palavras escritas que chegavam confusas e fora de ordem em sua cabeça.

-Isso não pode ser real. Elis falou enquanto observava a indiferença do outro tentando esconder-se naquele livro. - A gente sabia que nada seria sempre fácil, nada na vida é e agora na primeira dificuldade que temos você acredita que não foi a melhor das idéias o nosso espaço, as nossas coisas, nós dois mais próximos...

-Não foi o que eu disse...

-Foi o que me fez entender com seu discurso.

Pegou a bolsa jogada no tapete, saiu em passos apressados sem fechar a porta direito. Nino foi coberto por uma surpresa maior que ele, essa o impediu de mover-se. Seus olhos congelaram por instantes na porta, confusos, arrependidos. Logo os mesmos encontraram Marte sentado em sua frente colocando seus olhinhos quase que questionativos em cima dele. Desde que a desavença havia iniciado Marte observava tudo na platéia, seus olhos eram duas bolas de tênis indo e vindo entre Nino e Elis e suas palavras sem razão.

-Nem me olhe com essa cara...