terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Minha vida é um filme da nouvelle vague


É engraçado pensar no amor esses dias, quando um turbilhão parece me empurrar coisas ocultas por tanto tempo e com tanto...

O que é o amor, o que é essa coisa louca? Não me refiro somente ao amor entre homem e mulher ou amor acompanhado de desejo carnal. Mas, também aquele entre irmãos, pais e filhos...

O que é essa coisa que alguém nomeou de Amor? Que sentimento é esse que nos faz optar por atitudes, às vezes tão insensata e outras tão justas?

É mesmo esse sentimento que leva alguém a ocultar algo tão grande e tão importante durante tanto tempo? É mesmo esse que sufoca e também cuida?

O amor é uma daquelas coisas que não existem para ser explicadas, mas sentidas. Porém, os efeitos que esse tal de amor causa, ás vezes precisam ser explicados e preciso dessa explicação.

Começo a pensar que a minha vida é um filme da nouvelle vague. Então por favor, alguém grita aí: Corta!!!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Meu pequeno sapinho

Capítulo quinto...

Um brilho diferente no sorriso perolado de Nino. Naquela tarde voltou para a casa explodindo felicidades. Tomou Elis nos braços, essa logo precisou largar o lenço que estava nas mãos.

– Consegui. Disse ele tatuando beijos no rosto da garota confusa, porém sorridente. Libertou Elis de seu forte abraço e continuou: - Consegui um emprego numa empresa de arquitetura lá no centro, começo amanhã...

-Isso é ótimo Nino, mas será arquiteto mesmo, vai realizar projetos? Já?

-Não, que dizer vou trabalhar como arquiteto sim, mas em conjunto não vou assinar nada sozinho, mas isso é por enquanto, vou chegar lá...

-Claro... Eu tô muito feliz por você. Então vamos sair e comemorar?

-Vamos, eu falei com a galera e vamos para o Big John hoje às 7:00.

-Ótimo! Beijou-lhe os lábios felicitando o namorido, Marte e seus pêlos de neve logo se meteu no meio do abraço dos dois arrancando sorrisos de ambos.

Naquela noite no Big John, bar freqüentado pelo casal, Nino e Elis encontraram três amigos próximos, os inseparáveis Jorge e Lizy e ainda o Gim. Compartilhavam sorrisos e boas piadas de Gim enquanto tomavam cerveja.

–Eu tô falando sério, não foi engraçado galera...

-Gim, pensa cara...

-Não faz pedidos difíceis a ele Jorge. Lizy brincou com o amigo conseguindo risadas e mais risadas de todos ali na mesa. Bagunçou os cabelos que chegavam aos ombros do amigo, demonstrando que era apenas uma brincadeira.

-Vocês já riram demais de mim por hoje, agora vamos, conta Nino e esse emprego? Já sabe se dá para emprestar uma grana para mim no fim do mês?

-Mas o senhor é muito folgado... Caíram em risos, Nino sorria por detrás do gole de cerveja lutando para não rir tanto que fizesse chover cerva. –O emprego é bom, é na minha área então vai dá certo, vamos brindar à mim...

-Meu Deus, mas ele nem se acha, “vamos brindar á mim”... Mas só você Nino. Lizy falou entre risos, acompanhou os outros com os copos suspensos no ar e brindaram a nova fase do amigo.

***

Realmente era a vez de Nino. Aquela oportunidade havia chegado para aliviar sua ansiedade pela busca de um emprego, mas, além disso, havia algo que parecia ser ainda mais importante na conquista daquele trabalho. Era o momento que esperava para provar aos outros que era capaz.

Naquela noite Elis havia preparado um jantar o que era uma vitória para ela que pouco entendia de cozinha. Uniu a sua vontade e ingredientes saborosos, e daí fez o macarrão com cogumelos, voilá. Ainda em um avental colocou pratos na mesa, copos e talheres, tudo para um jantar perfeito. No centro um espaço para a bandeja com seu macarrão já havia sido reservado e ali bem ao lado o vinho que ela mesma comprara naquela tarde aguardava ansioso para ser degustado.

–Pronto! Agora Marte a mama aqui vai se arrumar para a chegada do Papá. Deixou a cozinha, banho e logo depois se arrumaria para aguardar a chegada de Nino.

Já bem confortável naquele azul básico e claro, sentou-se em um dos Pufs com uma revista em mãos para esperar os ponteiros do relógio rodarem e finalmente trazer o namorido para casa, faltava pouco, meia-hora. Mas, essa meia-hora passara rápido e a chegada de Nino era coisa da imaginação de Elis. A revista cobria seu rosto zangado, preocupado e ansioso, mas sua perna cruzada na outra denunciava tudo isso enquanto subia e descia balançando sem parar. Era a impaciência vindo incomodá-la. Olhou para Marte parado na porta, ele já havia até deitado e cochilado, passavam das dez.

-Eu odeio isso, mas não tenho outra escolha!

Tomou o celular nas mãos e discou os números do outro, aguardava a cada chamada que a voz dele dissesse um “alô”, mas aqueles “pans” de chamada eram uma música irritante depressiva para ela. Desligou quase afundando o botão do aparelho de tão forte. Levantou-se deixando a revista escorregar de seu colo, foi ter na cozinha onde os pratos eram tirados da mesa quase que sem pressa alguma, seus pensamentos dançavam confusos na mente, não percebeu a chegada repentina do outro.

-Elis... Sorriso largo no rosto, nem mesmo percebeu a falta de sorriso da outra. Por vê-la com pratos nas mãos acreditou que estaria colocando a mesa.

-Tentei falar com você...

-Eu não ouvir o celular, vi agora a ligação, desculpe eu não avisei que iria demorar o pessoal no trabalho me chamou para um bate-papo ao lado da empresa...

-Tanto faz! Deixou os pratos na mesa novamente, mas um por cima do outro. Passou por ele sem mesmo trocar olhares com Nino, que não deixou de notar depois de sua frase seca que havia algo errado. –Então... O que aconteceu? Me desculpa, eu não avisei...

-Nino, preparei um jantar legal para gente, vinho, tudo o mais porque queria fazer algo diferente para gente. Te esperei e nada de você chegar, liguei para você e nada de você atender, e você nem ao menos para me avisar que iria chegar atrasado hoje.

-Eu não fui legal, mas... Elis a gente pode jantar agora, eu tomo um banho rápido e sentamos...

-Nino, toma seu banho e janta o macarrão está no microondas. Até amanhã!

Abandonado sozinho na cozinha, quando foi dormir depois de jantar Nino não pode conversar com Elis que já havia pegado no sono. Na manhã seguinte antes de sair, uma conversa no café da manhã parecia colocar as coisas no lugar. Nino e seu desejo de quebrar o silêncio fez da maçã uma ponte para os dois. Estendeu a fruta até Elis do outro lado da pequena mesa. –Quer? Conseguiu lhe tirar um sorriso, tímido que não resistiu ao outro, mesmo ainda chateada. –Eva é quem oferece maçã a Adão, Nino. Sorrisos eram novamente trocados em paz. –Engraçadinha!

-Não quero, obrigada!

-Vou levar comigo então. Volto no horário hoje e se acontecer alguma coisa ligo avisando. Fez uma pausa para mastigar um pedaço de sanduiche. –O macarrão estava muito bom, está de parabéns querida!

-Obrigada Meu pequeno sapinho!

-Acho que minha mãe vai ligar hoje, quando contei a ela que havia conseguido esse emprego ficou feliz claro, mas me encheu de perguntas como sempre duvidando que eu pudesse conseguir algo realmente legal. Mas, ótimo vou provar para todo mundo que “conhece” o Nino que ele não é incapaz de algo grande, e nem vou precisar roubar um banco para isso! Sorriu.

Naquele sorriso, naquele olhar deslumbrado e feliz Elis conseguia ver que Nino continuava a nadar naquele rio de idéias bobas de provar algo aos outros a sua volta.

-Vamos almoçar com eles no fim de semana, minha mãe convidou a gente!

-Nino precisa isso?

-O almoço? Também achava que não, mas eles querem me ver, sei lá, puxar o saco. Caiu em risos enquanto que Elis girava aquela colher no café preto.

-Eu posso dizer uma coisa?

-Pode.

-Não fica chateado...

-Pode falar...

-Eu não acho que está fazendo certo, acho que isso não é necessário. Nino eu não tô falando do almoço com sua família, estou falando de você e essa sua obsessão em provar, provar, provar. Para quê, me diz? Você é dez, você é bom no que faz, é um cara inteligente, coração de ouro, e não falo isso por ser sua mulher-namorada, eu digo isso porque conheço muito bem essa pessoa ai...

-Eu não estou entendendo, Elis...

-Está, está sim. Você se sente magoado por não acreditarem em você, família, alguns colegas, mas eu acredito, e não acho que deve provar nada a ninguém, você só precisa provar algo para você mesmo, você acredita em você, então, isso é importante.

-Você não sabe o que é... Não Elis eu não vou discutir isso com você, eu tentei outra vez e você continua sem me entender. Seu tom de voz entregava a sua chateação. Deixou a cadeira. -Qual o problema em querer provar para o mundo que eu posso fazer algo de grande?

-Nino, desse jeito parece que você não acredita em você mesmo, sei lá. Veja, pense você não tem outro objetivo senão esse, o tempo todo provar, provar, provar. Não precisa disso cara...

-Eu vou trabalhar Elis, você fica com suas certezas, eu fico com a minha. Bom dia!

Saiu sem mesmo olhar um nos olhos do outro. Voltaram a estaca zero, quando tudo parecia bem, as paredes do apartamento voltavam a testemunhar desavenças.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Penso e Passo



Quando penso que uma palavra

Pode mudar tudo

Não fico mudo

Mudo

Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso

(Alice Ruiz)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Meu pequeno sapinho

Capítulo quarto...

Marte afastou-se da porta abanando desesperadamente o rabinho. Elis entrou, as chaves fizeram ruído em suas mãos, logo as segurou evitando chamar a atenção. Abaixou-se largando a bolsa em um canto, seus dedos eram pentes finos nos pêlos de Marte que não controlava sua alegria. O cachorrinho não sabia se cheirava uma das mãos da mãe ou se a permitia tocá-lo.

Ela possuía um leve vermelho nos olhos, resultado de lágrimas despejadas dentro de um ônibus de um lado a outro da cidade. Percebeu Nino adormecido no tapete em seu lugar no meio de seu material de trabalho, foi ter com ele, que estava abraçado a um papel. Sua curiosidade era grande, mas não maior que seu desejo de reconciliação.

...Me desculpe. Seu pequeno sapinho! Dizia as letras coloridas no papel. Elis cuidadosamente na intenção de evitar despertar o outro, puxou a folha pela ponta, mas não adiantou, o mínimo movimento o acordou. Olhares surpresos e receosos encontraram-se, silenciosamente Elis recebeu das mãos de Nino o seu recado. Pode ver melhor a lembrança feita por seu namorido. Sorriu, tudo estava voltando a normalidade, envolveu os braços no corpo do outro e tudo estava bem novamente.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz ano novo...


2010 vai partindo, e peço com carinho que leve as coisas desagradáveis que acontecerão e que deixe permanecer as lembranças das boas coisas, que não foram poucas. Então, vai 2010, vai com Deus, você foi generoso comigo esse ano, mas também me pregou algumas peças e entendo tudo como aprendizado. Valeu à pena!
Bem vindo 2011... vem com tudo...
E aí vai a minha lista de coisas que desejo que traga para mim e para todos, eu disse todos...

*Luz;
*Paz;
*Amor;
*Saúde;
*Sucesso... muito sucesso... ;)

Valeu à pena, 2010. Mas, acabou seu tempo. Au revoir...
Bem-vindo 2011, e que tudo seja luz e amor esse ano que está nascendo...


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu pequeno sapinho


Capítulo terceiro...

Elis saiu do prédio sem controlar os músculos da face, segurando o choro, engolindo sem sucesso o nó preso na garganta. Seus pés continuavam apressados e a levou para o primeiro ponto de ônibus que viu. Logo surgiu no final da rua uma jaula ambulante, tomou aquela sem mesmo ler o destino, dá voltas de ônibus por ai seria o seu novo e triste hobby naquele dia.

Ocupou um banco de apenas um lugar, trancou-se em seu mundo particular, seria a melhor escolha naquele momento. Esqueceu-se dos rostos dentro do transporte, voltando a atenção para o que vinha além da janela. Já cansados de guardar lágrimas que lutavam para serem derramadas, seus olhos desabafaram a dor que lhe alfinetava. Não deixava de lembrar as palavras trocadas no apartamento.

***

No apartamento Marte desistira de pedir atenção ao pai, ele não o notava. Nino era forçado a refletir pelo arrependimento, apertava na mão o que devia ser uma bolinha ortopédica, distraídos seus olhos alcançavam o mapa preso na parede. Libertou a bolinha e foi ter com o mapa.

-Pronto, está aqui. Elis sorriu marcando com tachinhas a Holanda.

-A Holanda? Você prefere a Holanda amor. Ele marcava Londres, descansando seu braço no ombro da outra. –Vamos à Londres...

-Nino pegamos um trem e de um vamos para outro país! Não passavam de sonhos e planos as marcações por falta das notas verdinhas que poderiam levá-los aos destinos escolhidos. Mas, divertiam-se imaginando viagens como aquelas.

Nino rememorava um dos bons momentos vividos pelos dois naqueles seis meses morando juntos. Deixou o mapa ao perceber o desenho interrompido pela discussão, estava ainda inacabado o tênis abandonado no tapete. Sentou-se com uma das pernas junto ao corpo e tomou nas mãos o all star com o rosto do Bob Marley. Perdeu-se no tempo com o tênis nas mãos admirava cada trabalho da outra, apesar daquele lamentável episódio, apoiavam-se desde sempre. Em seus pés possuía uma recordação de Elis, no último aniversário de Nino ela havia desenhado um sapinho de grandes e alegres olhos e ao lado escrito...

-Meu pequeno sapinho. Sussurrou o carinhoso apelido dado pela namorada.

Olhou além da janela, o céu aos poucos se tornava negro deixando o dia partir. Começara a preocupar-se com a saída de Elis. Tomou nas mãos o telefone, Marte já desperto colara na porta com o focinho encostado na abertura aguardando ansioso o retorno da mãe. Olhar esperançoso em cima da porta enquanto contatava amigos que pudessem lhe dá notícias de Elis. Marte permanecia imóvel na porta, seu focinho gelado buscava o cheiro da mãe por uma mínima entrada de ar.

-Valeu, se ela aparecer por ai me liga. Obrigado! Desligou. Suas buscas não foram vitoriosas, um ar de desânimo sussurrava próximo dele, estava preocupado com o desaparecimento da namorada. Voltou ao chão, ainda o tinha nos pés. Sentou-se meio as tintas e canetas, lamentando em silêncio a desavença.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Maria e João

Maria e João


Maria ninguém

entrou no trem

para Belém.


Ao lado de um desconhecido

sentou-se Maria

sem olhar o bendito.


O trem balançou

ele nela encostou,

ela sorriu, ele se apresentou...


Me chamo João ninguém,

falo com quem?

Maria ninguém.


Maria encontrou João

ou João encontrou Maria,

deixaram de ser ninguém

um ao outro pertenciam.